domingo, fevereiro 27, 2011


Depois de alguns dias longe deste espaço blog,venho agora tentar colocar a casa em ordem.Não quero me retirar dele por vários motivos,pelo trabalho feito e principalmente pelas amizades nele contidos.Vou tentar visitar todos sem excepção e dizer o quanto são importantes para mim as vossas palavras de amizade...obrigados.
E como estive junto do mar e adoro olhar para ele pela manhã e no cair da tarde,escrevi estas palavras ao qual será para todos vós.

Adoro o mar! Todo o seu
quê me envolve,o sal,labuta,
a maresia em meu rosto
e marés,os sons a bramir nas rochas
barcos atracados no cais,de velas ao vento
É neles que fico presa aos anzóis do
pensamento,e quando os olhos
se viram para o cais,onde as gaivotas
buscam a sobrevivência
e loucas voam por cima das ondas
em voos rasantes,onde o meu ser fica
adormecido das horas e momentos
que fico a olhar,neste vai e vem de
cada onda,que leva e trás o sal

Lisa 17/02/2011

terça-feira, fevereiro 15, 2011


A DANÇA

Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo secretamente, entre a sombra e a alma.
Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascender da terra.
Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo directamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
Se não assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que a tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.

Pablo Neruda

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Como o dia dos namorados se avizinha,e para dizer a verdade que o dia de quem ama é sempre, e não neste dia.Os tempos mudam,e os hábitos de igual modo,se importam datas e mitos,também poderá dar um certo ânimo a quem vende.Para crise basta a que nos entra pela porta dentro,pelos jornais e TV.Então resolvi colocar este lindo poema,para quem esteja apaixonado e goste.O amor por aqui está sempre presente até aos dias de hoje.

A menina pó de arroz,
Nascida à beira do mar
Com o oceano nos olhos
E com sorrisos de lua
Nos seus lábios pequeninos
Que nunca ninguém beijou,
A menina pó de arroz,
Com seus cabelos de cobre
Onde o vento vem brincar,
Assoma à sua janela
P'ra ver a noite estrelada,
Para ouvir os sons da noite,
Para beber o luar.
Para ter em suas mãos
Macias, longas e brancas,
A noite tépida e branda,
A velha noite calada.
A menina pó de arroz,
Que por uma abreviatura
Do seu nome arrevesado
É chamada entre família
Por um nome miudinho
De marca de pó de arroz,
Com seu corpinho de fada
Que saiu de alguma fonte
Que há pouco perdeu o encanto,
Com a cabeça nas mãos,
Enquanto na casa dormem,
Veio pôr-se na janela
Para que a noite a beijasse.
A menina pó de atroz
Estará enamorada?

Antonio Rebordão Navarro

quinta-feira, fevereiro 03, 2011


Verde
Como era verde este caminho!
Que calmo o céu! que verde o mar!
E, entre festões, de ninho em ninho,
A Primavera a gorjear!...

Inda me exalta, como um vinho,
Esta fatal recordação!
Secou a flor, ficou o espinho...
Como me pesa a solidão!

Órfão de amor e de carinho,
Órfão da luz do teu olhar,
- Verde também, verde-marinho,
Que eu nunca mais hei de olvidar!

Sob a camisa, alva de linho,
Te palpitava o coração...
Ai! coração! peno e definho,
Longe de ti, na solidão!

Oh! tu, mais branca do que o arminho,
Mais pálida do que o luar!
- Da sepultura me avizinho,
Sempre que volto a este lugar...

E digo a cada passarinho:
"Não cantes mais! que essa canção
Vem me lembrar que estou sozinho,
No exílio desta solidão!"

No teu jardim, que desalinho!
Que falta faz a tua mão!
Como inda é verde este caminho...
Mas como o afeia a solidão!

Olavo Bilac, in "Poesias