quarta-feira, maio 05, 2010



A Noite na Ilha

Dormi contigo a noite inteira junto do mar, na ilha.
Selvagem e doce eras entre o prazer e o sono,
entre o fogo e a água.
Talvez bem tarde nossos
sonos se uniram na altura e no fundo,
em cima como ramos que um mesmo vento move,
embaixo como raízes vermelhas que se tocam.
Talvez teu sono se separou do meu e pelo mar escuro
me procurava como antes, quando nem existias,
quando sem te enxergar naveguei a teu lado
e teus olhos buscavam o que agora - pão,
vinho, amor e cólera - te dou, cheias as mãos,
porque tu és a taça que só esperava
os dons da minha vida.
Dormi junto contigo a noite inteira,
enquanto a escura terra gira com vivos e com mortos,
de repente desperto e no meio da sombra meu braço
rodeava tua cintura.
Nem a noite nem o sonho puderam separar-nos.
Dormi contigo, amor, despertei, e tua boca
saída de teu sono me deu o sabor da terra,
de água-marinha, de algas, de tua íntima vida,
e recebi teu beijo molhado pela aurora
como se me chegasse do mar que nos rodeia.

Pablo Neruda

12 comentários:

Fernanda disse...

Querida Lisa,

Neruda!!!
É inigualável...
Fizeste uma escolha maravilhosa, lindíssima.

Beijinhos

Laura disse...

Onde arranjo um Pablo Neruda assim pra mim?...Beijinhos..laura

Mona Lisa disse...

Olá Lisa

Uma escolha SOBERBA!

Parabéns.

Bjs.

Irene Moreira disse...

Lisa
Estou aqui a te visitar e me delicio com versos de Neruda.Incomparável a sua forma de jogar as palavras com versos que descrevem com destreza os sentimentos, a natureza.
Aproveitei uma porta aberta na Casa do Rau que a amiga Ná gentilmente deixou e vim te conhecer e encantada estou.

Beijos

Flor ♥ disse...

Querida Lisa,

como estás?

Neruda dispensa qualquer comentário, e a escolha de hoje foi magnífica... nos leva a viajar pelas delícias do amor!

Bjs.

Secreta disse...

Belissimo!
Beijito.

Carlos Albuquerque disse...

A grandeza do amor e da paz neste poema de Neruda, génio da literatura e dela Prémio Nobel.
Gostei imenso de reler a Noite na Ilha. Obrigado, Elisa, por o ter partilhado.
Este seu post fez-me recordar um acontecimento ímpar em todo o mundo.
Depois de ter recebido o Nóbel (1971),o presidente chileno Salvador Allende convidou-o para ler poesia, no Estádio Nacional do Chile, perante 70 mil pessoas. Neruda leu!
Por todo o lado ecoou a sua frase: os poetas odeiam o ódio e fazem guerra à guerra.
Pablo Neruda morreu a 23 de Setembro de 1973, 12 dias depois do assassínio do seu amigo Salvador Allende pelas hordas nazis de Pinochet. Diz a escritora Isabel Allende que o poeta morreu de tristeza.
Um abraço, Amiga Lisa

Dulce disse...

Ah, minha amiga, que lindo!...
Neruda desnuda sentimentos, corações... Lindo.
Beijos e Obrigada

me, myself and I disse...

A poesia de Neruda é, sem dúvida, extraordinária.
Belissima escolha (como sempre).

um beijo com sabor de água-marinha

FOTOS-SUSY disse...

OLA LISA, BELISSIMO POEMA...SUBLIME ESCOLHA...VOTOS DE UM OPTIMO FIM DE SEMANA AMIGA!!!
BEIJOS COM CARINHO,



SUSY

Maria disse...

Este poema 'mata-me'...

Obrigada, Lisa.
Beijinho.

Sonhadora disse...

Minha querida
Lindo poema, Neruda é Imortal.
Uma bela escolha.

Deixo um beijinho
Sonhadora