domingo, maio 30, 2010



Brisa
Que branca mão na brisa se despede?
Que palavra de amor
A noite de maio em si recebe e perde?
Desenha-te o luar como uma estátua
Que no tempo não fica
Quem poderá deter
O instante que não pára de morrer

Sophia de Mello Breyner

sexta-feira, maio 28, 2010



FLOR DO MAR

És da origem do mar, vens do secreto,
do estranho mar espumoso e frio
que põe rede de sonhos ao navio
e o deixa balouçar, na vaga, inquieto.
Possuis do mar o deslumbrante afecto,
as dormências nervosas e o sombrio
e torvo aspecto aterrador, bravio
das ondas no antro e proceloso aspecto.
Num fundo ideal de púrpuras e rosas
surges das águas mucilaginosas
como a lua entre a névoa dos espaços...
Trazes na carne o florescer das vinhas,
auroras, virgens músicas marinhas,
acres aromas de algas e sargaços...

Cruz e Sousa
Foto:fotos sapo

Como estamos em fim de semana,este será o poema dedicado a todos que por aqui "navegarem" e desejo que o mesmo seja como todos merecemos,bom com sol,amizade e amor.

quarta-feira, maio 26, 2010



Primavera

Primavera que Maio viu passar
Num bosque de bailados e segredos
Embalando no anseio dos teus dedos
Aquela misteriosa maravilha
Que à transparência das paisagens brilha.

Pablo Neruda

segunda-feira, maio 24, 2010



PRESENÇA

É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exacto e que, apenas, levemente, o vento
das horas ponha um frémito em teus cabelos...
É preciso que a tua ausência trescale
subtilmente, no ar, a trevo machucado,
as folhas de alecrim desde há muito guardadas
não se sabe por quem nalgum móvel antigo...
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir
como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida...
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato...
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.

Mário Quintana

sexta-feira, maio 21, 2010


Breve Poema ao Mar!

Com o aroma das rosas
te escrevo em trigo e sonho e beijo
Desenho-te em vogais
de pétalas interiores ao cristal ao linho
Adoro-te em silabas de orvalho
como se cantam as madrugadas da paixão
nas asas quentes do vento.

As curvas do teu sorriso
acordam as cotovias
Quando a primavera regressa
carregada de vermelho ardente das papoilas
As horas passam as noites os olhos sem fim
E nada mais sobra para além do coração
ao encontro dos dias maduros das abelhas
onde o meu querer-te em harpas floresce


Artur F. Coimbra

quarta-feira, maio 19, 2010



Amigo,
tu que choras uma angústia qualquer
e falas de coisas mansas como o luar
e paradas como as águas de um lago adormecido,
acorda!
Deixa de vez as margens do regato solitário
onde te miras como se fosses a tua namorada.
Abandona o jardim sem flores desse país inventado
onde tu és o único habitante. Deixa os desejos sem rumo
de barco ao deus-dará e esse ar de renúncia às coisas do mundo.
Acorda, amigo, liberta-te dessa paz podre de milagre que existe
apenas na tua imaginação. Abre os olhos e olha, abre os braços e luta!
Amigo, antes da morte vir
nasce de vez para a vida.

Manuel da Fonseca

segunda-feira, maio 17, 2010



A cada momento desenho o som da tua voz.
No olhar,e mãos que contem cada lágrima minha,
em cada uma que cai é o rio que corre
quando os nossos olhares se cruzam
com a pureza de sentimentos.
Nos teus passos eu desenho a nossa
linha do horizonte, e o caminho percorrido.
Na tua ternura eu sinto o calor
com que me abraças,e junto a ti me acalma.
Em todos os momentos,desenho palavras
de amor,desejo,ternura e pensamentos.
E neste desenho,vou ao encontro das palavras
que te digo em cada dia,em cada acordar.
Simplesmente amo-te

Lisa 17/05/2010

sexta-feira, maio 14, 2010



Com o fim de semana na porta,que poderei dizer aos amigos que por aqui vem.Saúde, paz,felicidade,e muito amor.São bens essenciais para que a vida tenha outro sentido.Todos sabemos que muita coisa está mal,não só para uns mas se calhar para muitos,mas se houver,um pouquinho do que disse anterior,melhor será para enfrentar a nostalgia que nos acompanha nos dias que correm.Como tal um poema que adorei e dedico aos amigos neste fim de semana.

Repouso!

Dá-me tua mão
E eu te levarei aos campos musicados pela
canção das colheitas
Cheguemos antes que os pássaros nos disputem
os frutos,
Antes que os insetos se alimentem das folhas
entreabertas.
Dá-me tua mão
E eu te levarei a gozar a alegria do solo
agradecido,
Te darei por leito a terra amiga
E repousarei tua cabeça envelhecida
Na relva silenciosa dos campos.
Nada te perguntarei,
Apenas ouvirás o cantar das águas adolescentes
E as palavras do meu olhar sobre tua face muito
amada.

Adalgisa Nery

quinta-feira, maio 13, 2010

Hoje pela manhã o passeio foi um pouco mais longe da cidade.Fomos desfrutar a tranquilidade da barragem de Queimadela.A mesma fica situada numa aldeia com o mesmo nome,de bela paisagem onde se destaca a barragem o parque de campismo com boas infraestruturas e grande qualidade.Ali convida ao descanso,onde se pode andar ao longo do curso das águas,pelas suas margens do rio Vizela indo encontrar a famosa cachoeira que nos convida a um banho" não agora claro,porque ainda está frio por aqui.Ali ainda podemos ir ao encontro, com vontade conhecer as casas que se tem recuperado para turismo.Onde vamos encontrar a Aldeia de Pontido,com apenas cinco casas todas recuperadas,e com todo o conforto onde se pode marcar o alojamento.Ao longo do rio Vizela,
A barragem faz o abastecimento a cidade e seu conselho,onde se pode praticar desportos náuticos,mas não poluentes,bem como a pesca desportiva
concluída em 1992 e inaugurada em 1993. a barragem é uma importante obra pública no contexto concelhio.
Querendo consultar algo sobre o que aqui escrevi,consultem este site: http://.aldeiadopontido.com/





segunda-feira, maio 10, 2010



Para além dos signos
Escrever agora é dispersar os reflexos,
abrir as portas de pedra e repousar no ar.
Ajoelhado junto de um barco ou de uma jarra,
um deus respira e é um puro vazio.
Para além dos signos e no início deles
um sorriso, um fulgor das coisas confiantes.
E nos muros e nos dedos, uma areia
que das nuvens descesse e na distância
a forma de uma braço amante, o sonho do outro.

Antonio Ramos Rosa

sexta-feira, maio 07, 2010

O meu caminhar pela manhã era o encontro do sol! Mas no caminho só encontrei,as flores,e muito verde em redor,alguma chuva de repente,para estragar o passeio.Soube muito bem este pequeno prazer,que a mim deixa, a alma livre dos pensamentos que vão amontoando durante a semana.No fim um café na praça,a ver a azafama da manhã e oriso de algumas crianças.No caminho encontrei flores silvestres tão bonitas,que nem um qualquer pintor, seria capaz de cores tão bonitas e variadas.Como penso que flores todos gostam,aqui ficam para os amigos uma pequena margarida,podem escolher a cor.



Numa flor é a vida que renasce
é o bater do coração que pulsa
no peito pela nova estação
É um caminho de esperança
em novas sementes renovadas.



Diversos tons de amores-perfeitos,onde as tulipas algumas, já deixaram cair as pétalas

quarta-feira, maio 05, 2010



A Noite na Ilha

Dormi contigo a noite inteira junto do mar, na ilha.
Selvagem e doce eras entre o prazer e o sono,
entre o fogo e a água.
Talvez bem tarde nossos
sonos se uniram na altura e no fundo,
em cima como ramos que um mesmo vento move,
embaixo como raízes vermelhas que se tocam.
Talvez teu sono se separou do meu e pelo mar escuro
me procurava como antes, quando nem existias,
quando sem te enxergar naveguei a teu lado
e teus olhos buscavam o que agora - pão,
vinho, amor e cólera - te dou, cheias as mãos,
porque tu és a taça que só esperava
os dons da minha vida.
Dormi junto contigo a noite inteira,
enquanto a escura terra gira com vivos e com mortos,
de repente desperto e no meio da sombra meu braço
rodeava tua cintura.
Nem a noite nem o sonho puderam separar-nos.
Dormi contigo, amor, despertei, e tua boca
saída de teu sono me deu o sabor da terra,
de água-marinha, de algas, de tua íntima vida,
e recebi teu beijo molhado pela aurora
como se me chegasse do mar que nos rodeia.

Pablo Neruda

segunda-feira, maio 03, 2010



Não partas já
Não partas já.Fica até onde a noite se dobra
para o lado da cama e o silêncio recorta
as margens do tempo.É aí que os livros
começam devagar e as cores nos cegam
e as mãos fazem de norte na viagem.Parte apenas
quando amanhã se ferir nos espelhos do quarto
em estilhaços de luz;e um feixe de poeiras
rasgar as janelas como uma ave desabrida.
Alguém murmurará então o teu nome,vagamente,
como a gastar os dedos na derradeira página.
E então,sim,parte,para que outra história se
invente mais tarde,quando os pássaros gritarem
à primeira lua e os gatos se deitarem sobre
o muro,de olhos acesos,fingindo que perguntam.

Maria do Rosário Pedreira

domingo, maio 02, 2010



É Noite, Mãe

As folhas já começam a cobrir
o bosque, mãe, do teu outono puro...
São tantas as palavras deste amor
que presas os meus lábios retiveram
pra colocar na tua face, mãe!...

Continuamente o bosque se define
em lividez de pântanos agora,
e aviva sempre mais as desprendidas
folhas que tornam minha dor maior.
No chão do sangue que me deste, humilde
e triste, as beijo. Um dia pra contigo
terei sido cruel: a minha boca,
em cada latejar do vento pelos ramos,
procura, seca, o teu perdão imenso...

É noite, mãe: aguardo, olhos fechados,
que uma qualquer manhã me ressuscite!...

António Salvado