terça-feira, dezembro 15, 2009



Uma Voz na Pedra

Não sei se respondo ou se pergunto.
Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.
Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra.
Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.
De súbito, ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.
A minha tristeza é a da sede e a da chama.
Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio.
O que eu amo não sei. Amo. Amo em total abandono.
Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente.
Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim.
Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido.
Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.
Não sou a destruição cega nem a esperança impossível.
Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra.


António Ramos Rosa

6 comentários:

Ana disse...

Lindíssimo "Uma Voz na Pedra" de António Ramos Rosa. Foi uma boa escolha querida Lisa. Já vi que gostas muito deste grande escritor, também gosto.
Desejo-te uma noite muito feliz!!!
Beijinhos bem carinhosos,
Ana Paula

Maria disse...

... ou o poder das palavras!
'ser aberto por uma palavra' é muito lindo!
Belo poema deste poeta tão arredado da blogosfera. Muito obrigada por o trazeres até nós, Lisa.

Beijinho

Luis F disse...

UM lindo poema, um grande momento, onde as palavras bailam em nectares perfumados num grito da alma.

Obrigado pela partilha

Com amizade
Bjs
Luis

Agulheta disse...

Querida Ana.Obrigada amiga,tens razão em dizer que gosto deste escritor,é muita verdade,as suas palavras enchem minha alma,de tão lindas que são.
Beijinho Lisa

Agulheta disse...

Maria.O poder das palavras nem todos as tem,este escritor tem e gosto muito,na blogosfera nem leio muito as palavras dele.
Beijinhos Lisa

Agulheta disse...

Luís.Agradeço a visita e as palavras,que tão bem cai na escrita de António Ramos Rosa!
Beijinho
Lisa