quarta-feira, setembro 30, 2009



Olá meus amigos. É com palavras sentidas que por aqui venho. Ontem não deu para aqui vir,viemos muito tarde depois das cerimónias,muita dor que ninguém pode ficar indiferente, a triste situação a que todos fomos chamados.Irei visitar ainda hoje os amigos que por aqui passaram e deixaram palavras de amizade e esperança,obrigados a todos.
Nós bombeiros temos de certa forma um espírito de abnegação para com os outros,tentamos lhes dar apoio e ajuda em tudo que esteja o nosso alcance,até ai tudo certo, gosto e aprovo.Mas agora fica um porquê,o motivo que leva a chegar lume a serra? Aí não percebo bem,por várias razões e motivos,por ver arder o que é de todos nós,dinheiro por detrás,interesses,lastimo mas não tenho palavras para articular esta conduta.Depois acontecem casos como o que aconteceu,que nos deixa todos nós sem esperança, e nos leva a perguntar o porquê de tanta malvadez.Ontem não vi camarada nenhum,sem que dos seus olhos as lágrimas corressem pelas fardas,pela triste ocorrência,e emoção vivida diante dos nossos olhos,os jovens que se foram vinham ajudar os outros amigos e camaradas, e o destino nem os deixou chegar até nós. O destino sempre traiçoeiro e atroz não quis que assim fosse. A dor foi muita para os seus familiares e amigos,quem fez o mal de chegar lume neste trágico Domingo,que considere a sua conduta,pessoas assim deviam não merecem piedade de ninguém,aos camaradas até um dia.

segunda-feira, setembro 28, 2009



Hoje venho com alguma tristeza e desalento.Mais uma vez o fogo que mata de diversas formas fez das suas.Ontem as freguesias em redor da cidade eram fogos em diversas direcções,foi durante toda a noite de sexta para sábado,durante o dia do mesmo,e para continuar durante a noite. Ontem durante a tarde,foi o pior,em diversas zonas ardia com grande intensidade e nos piores sítios com casas à beira,a sirene durante a tarde de ontem não calava de tocar,e perante este cenário os voluntários sofrem da pior maneira.Continuo a ver matas sem limpeza,em volta das casas sem limparem os terrenos,os incendiários à solta! tanta coisa,os juízes a manda-los embora,não vou deixar culpa a ninguém mas que muitos a tem lá isso é verdade.Perante estas minhas palavras,não vou reclamar o trabalho despendido em prol da sociedade,mas que os olhos da mesma atinjam os seus deveres como cidadãos.Ontem como disse tinha-mos vários incêndios,e foi pedida a ajuda aos corpos de bombeiros no distrito,como tal saindo de sua casa e sem saberem que entraria nela,vieram os colegas de Esposende,não é que numa hora fatídica,e num rebentamento de um pneu,a viatura em que seguiam se despistou na A7, e galgou a ponte vindo cair de 30 metros de altura,numa estrada nacional.Triste sina ditou a sua saída,apagar mato dos que não o querem cortar,e pensando que nós os voluntários temos esse direito...não? basta de tragédias! Amanhã vamos prestar a ultima homenagem a quem tem por destino VIDA POR VIDA

sexta-feira, setembro 25, 2009



A alegria do que nos alegrou dura pouco. A dor do que nos doeu dura muito mais. Vê se consegues poupar a alegria e esbanjares o que te dói. Vive aquela intensamente e moderadamente. E atira a outra ao caixote. Talvez chegues a optimista profissional e tenhas uma bela carreira de político

Fonte: "Escrever"
Autor: Ferreira , Vergílio

quinta-feira, setembro 24, 2009


(foto net)

Levantei cedo e fiquei a olhar para o horizonte,onde pela luminosidade dizia estou aqui,com um novo dia. Olhei o sol que com o brilho radiante convidava a um passeio. Logo aí meti pés ao caminho e andei ao sabor do tempo da manhã, que coisa mais linda,os cheiros pelas narinas das ervas do campo,ao longe já ouvia os vindimadores na azáfama da colheita das uvas. Logo à tardinha se voltar ao mesmo lugar, já sinto o cheiro do néctar a fermentar nos toneis, para alegrar os homens que o meteram no lagar.E nesta distracção e passeio passo o tempo de lazer, estou farta de ouvir todos os dias "Asfixia democrática" tenham dó, quando temos tanto que fazer e pensar.

terça-feira, setembro 22, 2009



(foto net)

Retrato do Povo de Lisboa

É da torre mais alta do meu pranto
que eu canto este meu sangue este meu povo.
Dessa torre maior em que apenas sou grande
por me cantar de novo.

Cantar como quem despe a ganga da tristeza
e põe a nu a espádua da saudade
chama que nasce e cresce e morre acesa
em plena liberdade.

É da voz do meu povo uma criança
seminua nas docas de Lisboa
que eu ganho a minha voz
caldo verde sem esperança
laranja de humildade
amarga lança
até que a voz me doa.

Mas nunca se dói só quem a cantar magoa
dói-me o Tejo vazio dói-me a miséria
apunhalada na garganta.
Dói-me o sangue vencido a nódoa negra
punhada no meu canto.

Ary dos Santos

Gosto do poeta,do poema e do povo de Lisboa

domingo, setembro 20, 2009



Entre o Mar e Montanha, eu escolherei o Mar! Pela serenidade de pensamento, o esvoaçar das gaivotas no cais. Sim do cais das recordações, do amor e de outros tempos que não voltam.
Dos livros lidos ao fim da tarde, onde via o sol a se esconder, dos passeios de mão dada, dos amigos que partiram e outros que ficaram.Saudade do vento que batia nas fases e onde a maresia nos trazia o cheiro a sargaço e alegria, do brincar na areia em criança, tudo isto lembro do mar.
Da montanha... gosto dela pelo espaço verde do esconder do sol no fim da tarde, onde pensamos que correndo montanha acima o vamos encontrar ali a nossa espera e apanhar nas mãos.O rebentar das árvores no começo da primavera, dos ninhos e tudo que a natureza nos oferece, deitar em verdes prados de erva, nas tardes de verão, o ouvir cantar os grilos...e onde a camomila nos dá o tom do amarelo da amizade.
Sentar na beira do riacho de pés descalços e sentir a água fresca do verão, por tal a montanha tem seus encantos da natureza.
Da chuva eu gosto a minha maneira, algo que muitas vezes não sabemos explicar o sentido, quando ela nos molha o rosto. Tem sua beleza é vê-la bater na vidraça em dias de inverno.Sentar Junto a lareira, e ela a molhar a terra.E nos dias de desanimo nos apetece vir para a rua, abrir os braços virados aos céus e sentir o cair da chuva no corpo, como que seja o lavar das mágoas das nossas desilusões, e de tudo que nos rodeia.
O sol... esse que aquece os meus dias e me faz a alma cantar de alegria e boa disposição, que nos faz saltar da cama logo cedo para desfrutar este prazer que é o sol e a vida, que alguém um dia nos deu com carinho e amor! a isto eu chamo de mãe que é a natureza

sexta-feira, setembro 18, 2009



Para além dos signos

Escrever agora é dispersar os reflexos,
abrir as portas de pedra e repousar no ar.
Ajoelhado junto de um barco ou de uma jarra,
um deus respira e é um puro vazio.
Para além dos signos e no início deles
um sorriso, um fulgor das coisas confiantes.
E nos muros e nos dedos, uma areia
que das nuvens descesse e na distância
a forma de uma braço amante, o sonho do outro.

Antonio Ramos Rosa

quinta-feira, setembro 17, 2009



Amar é Raro

Amar é dar, derramar-me num vaso que nada retém e sou um fio de cana por onde circulam ventos e marés. Amar é aspirar as forças generosas que me rodeiam, o sol e os lumes, as fontes ubérrimas que vêm do fundo e do alto, água e ar, e derramá-las no corpo irmão, no cadinho que tudo guarda e transforma para que nada se perca e haja um equilíbrio perfeito entre o mesmo e o outro que tu iluminas. Dar tudo ao outro, dar-lhe tanta verdade quanta ele possa suportar, e mais e mais; obrigar o outro a elevar-se a um grau superior de eminência, fulguração, mas não tanto que o fira ou destrua em overdose que o leve a romper o contrato — o difícil equilíbrio dos amantes! Amar é raro porque poucos somos capazes de respirar as vastas planícies com a metade do seu pulmão; e amar é raro porque poucos aceitam a presença do seu gémeo, a boca insaciável de um irmão que todos os dias o vento esculpe e destrói.

Casimiro de Brito

terça-feira, setembro 15, 2009



Sobre esta praia

Sobre esta praia me inclino.
Praias sei:
Me deitei nelas, fitei nelas, amei nelas
com os olhos pelo menos os deitados corpos
nos côncavos da areia ou dentre as pedras
desnudos em mostrar-se ou consentir-se
ou em tombar-me intentos como o fogo
do sol em dardos que se chocam brilham
em lâminas faíscas de aço róseo e duro.
Do Atlântico ondas rebentavam plácidas
e o delas ruído às vezes tempestade
que em negras sombras recurvava as águas
me ouviram não dizer nem conversar
mais do que os gestos de tocar e ter
na tépida memória as flutuantes curvas
de ancas e torsos, negridão de pêlos,
olhos semicerrados, boca entreaberta,
pernas e braços se alongando em dedos.
Aqui é um outro oceano.
Um outro tempo

Jorge de Sena

segunda-feira, setembro 14, 2009



"Se todo o ouro do mundo fosse fundido em um cubo sólido, ele seria do tamanho de uma casa de oito aposentos. Se um homem tomasse posse de todo este ouro -- bilhões de dólares em valor -- ele não conseguiria comprar amigos, caráter, paz de espírito, consciência tranqüila, ou senso de eternidade."

( Charles F. Bunning )

sexta-feira, setembro 11, 2009



E porque não falar deste dia e desta data! Mas não, ela estará sempre no meu coração a toda a hora e momento. Os amigos que aqui vem sabem, que sou Voluntária num Corpo de Bombeiros. As tragédias que passaram diante dos olhos foram muitas,algumas dolorosas mas nada que se compare a esta. 11 de Setembro de 2001,estava no quartel à hora que deram as noticias na TV,o coração parou de dor pela tragédia vista,ficamos a olhar uns para os outros. A partir desta data tudo mudou,o medo se instalou nos povos e nas nações, culpas de quem...não sei que dizer,de alguns governantes de mão dura e teimosos? mas o povo não tem culpa.Guerras ideológicas e fundamentalistas, todos devemos parar para pensar,e tirar conclusões sobre muitas coisas,só assim faremos um mundo melhor.

Já agora bom fim de semana a todos que por aqui vierem e sejam felizes.Lisa

quinta-feira, setembro 10, 2009



Noite de Sonhos Voada

Noite de sonhos voada
cingida por músculos de aço,
profunda distância rouca
da palavra estrangulada
pela boca armodaçada
noutra boca,
ondas do ondear revolto
das ondas do corpo dela
tão dominado e tão solto
tão vencedor, tão vencido
e tão rebelde ao breve espaço
consentido
nesta angústia renovada
de encerrar
fechar
esmagar
o reluzir de uma estrela
num abraço
e a ternura deslumbrada
a doce, funda alegria
noite de sonhos voada
que pelos seus olhos sorria
ao romper de madrugada:
— Ó meu amor, já é dia!...

Manuel da Fonseca

quarta-feira, setembro 09, 2009



Realmente uma amiga que aqui comentou tem plena razão. Hoje tudo é fachada e o que se tem hoje, amanhã pode não ter.São colegas atraiçoar colegas,políticos que não se entendem só roupa suja,os credíveis ninguém os ouve,alguns tem medo de perder as mordomias. O staff é que conta, a marca do carro o fato de grife,os sapatos Italianos as carteiras de pele,basta ter uma simples marca para ser chique,não sei de quê,talvez da cabeça e da sua ilusão,de repente com um simples estalar de dedos e tudo vai pela água abaixo. Ter consciência do que nos rodeia,é preciso e não é necessário fazer cálculos de matemática,porque um e um continua a ser dois.Mal educação em todo o lado,se anda mais devagar com o carro,logo vem aquele gesto "bonito" sem nível do lado de fora,se o menino faz birra a mãe logo arma em descrição e nem liga, o que para mim é falta de civismo e boa educação.Gostava de ver muita gente a partilhar um pouco do seu tempo fútil a ajudar quem precisa,isso sim era bonito,agora criticar quem trabalha? foi um desabafo do que vejo diariamente

Lisa

segunda-feira, setembro 07, 2009

Caminho




A vida é feita de muitos caminhos,os que nos levam aos sonhos,à esperança à tristeza... mas sobretudo ao amor.
Sim ao Amor, aquele que é integrante da nossa vida,o que tira a respiração do momento.
Muitos fazem bom proveito da vida e do caminho,que temos de percorrer.Mas neste caminho que temos de percorrer,encontramos algumas pedras e obstáculos.Mas devemos romper barreiras,para chegar aquele lugar que todos nós sonhamos.
Muitos não conseguem chegar,para isso precisam da nossa mão para o ajudar,nunca o destruir.
Que bom é chegar a nossa casa e termos o nosso caminho aberto,um braço acolhedor,do pai da nossa mãe dos irmãos! Mas gostoso se for do nosso amor e dos filhos,esse em geral é o caminho traçado da vida! Mas principalmente do nosso destino e caminho!Digamos a nossa ancora de um belo atracar do nosso cais,aquele que é a nossa casa.
Mas pensando! quantos nem sequer chegam a ver o seu cais,andam a deriva de afectos,amor e liberdade,e falta de muita solidariedade

sábado, setembro 05, 2009

Bom Fim Semana



A felicidade de um amigo deleita-nos. Enriquece-nos. Não nos tira nada. Caso a amizade sofra com isso, é porque não existe.

Jean Cocteau

A todos os amigos que aqui vierem,bom fim de semana e vamos apanhar o resto do bom tempo e sol,antes de o Outono chegar.

sexta-feira, setembro 04, 2009

Combater a Opressão



É certamente admirável o homem que se opõe a todas as espécies de opressão, porque sente que só assim se conseguirá realizar a sua vida, só assim ela estará de acordo com o espírito do mundo; constitui-lhe suficiente imperativo para que arrisque a tranquilidade e bordeje a própria morte o pensamento de que os espíritos nasceram para ser livres e que a liberdade se confunde, na sua forma mais perfeita, com a razão e a justiça, com o bem; a existência passou a ser para ele o meio que um deus benevolente colocou ao seu dispor para conseguir, pelo que lhe toca, deixar uma centelha onde até aí apenas a treva se cerrara; é um esforço de indivíduo que reconheceu o caminho a seguir e que deliberadamente por ele marcha sem que o esmoreçam obstáculos ou o intimide a ameaça; afinal o poderíamos ver como a alma que busca, após uma luta de que a não interessam nem dificuldades nem extensão.

Agostinho da Silva.

quinta-feira, setembro 03, 2009

O Lugar da Casa



(imagem net)

Olá amigos!nesta curta ausência que pareceu cem anos,pois não levei computador,e foi realmente para a família. Aqueles que aqui vieram e deixaram amizade,obrigados e prometo fazer visita a todos vós,e como gosto muito deste poeta,aqui fica este poema... O Lugar de Casa,que pode ser a de todos nós,desde que gostemos dela,seja pobre ou rica,mesmo de telhas partidas e onde entra o luar,mas principalmente, entrar o amor.

O lugar da Casa

Uma casa que fosse um areal
deserto; que nem casa fosse;
só um lugar
onde o lume foi aceso, e à sua roda
se sentou a alegria; e aqueceu
as mãos; e partiu porque tinha
um destino; coisa simples
e pouca, mas destino:
crescer como árvore, resistir
ao vento, ao rigor da invernia,
e certa manhã sentir os passos
de abril
ou, quem sabe?, a floração
dos ramos, que pareciam
secos, e de novo estremecem
com o repentino canto da cotovia.

Eugénio de Andrade