quarta-feira, abril 15, 2009

Era madrugada




Era madrugada? Como tantas outras que passei mas esta era diferente.O silencio se tornou dia. O aclarear uma aurora,as vozes não eram roucas,os olhares transparentes e cristalinos como água.
No caminhar da rua os passos eram firmes e precisos,as pessoas se cruzavam,e sua maneira era cúmplice de algo que se conta aos amigos, parecia que a vida tinha parado naquele instante, a dizer uns para os outros estamos aqui,com força e determinação para avançar neste novo dia. O medo,esse ficou na soleira da porta nessa madrugada,como ficaram os cardos e opressões,e o frio na espinha que assolava em qualquer instante. Em poucas horas somente,o medo passou,bem longe a ilusão da miséria e da fome? Era Abril,um dia diferente, mas muito ausente já...hoje é o mesmo Abril, mas as pessoas sem esperança, continuam tristes,com miséria,e vejo que voltaram a estar na soleira da casa sombria, de braços cruzados para tudo e sem solução... me renego e digo não!Basta... onde está Abril de flor vermelha que espalhou alegria nos corações,a mesma que todos nós esperamos,que desabroche sempre como nessa madrugada,em que o silêncio ficou dia.

12 comentários:

Pico minha ilha disse...

A madrugada sempre nos ajuda a encontrar a luz de novo dia.A net por aqui também está com falhas e lenta.Beijinhos com amizade.

Eduardo Aleixo disse...

Gostei de visitar-te. Gostei do texto. Enquanto houver madrugadas nos corações não faltarão as vontades. É verdade que os tempos são de mudanças profundas. É verdade que houve expectativas defraudadas. Mas a vida, como um rio, não pára. Dói ver certas coisas. Mas não vamos desistir. O mundo depende de nós. Nós vamos no rio. Nós somos as águas de Abril.
Abraço
Eduardo

Laura disse...

Querida, por acaso fui mais uma das que não cantaram aos capitães de Abril, não estava cá e sim, tive de deixar a minha terra vermelha, a minha terra amada, e só por perdê-la, digo não, não ao 25 de Abril porque foi feito d apior maneira...deveria ser feito comc alma e haveria sempre para todos a opção de ficar ou vir embora, mas, da forma que tudo foi feito...não, digo sempre não, e agora mais que nunca há bandeiras pretas nas janelas..onde estão os que contribuiram para elas?...qual liberdade? foi sol d epouca dura, a educação? o respeito? o que ficou disso? a liberdade como a usam? bolas nina, bolas...
Um beijinho.

Ana disse...

Querida Isa o teu texto é magnífico, de uma forma poética relataste o realismo em que se vive hoje, aonde está essa revolução dos cravos que tanto prometeu?
Tem uma finalidade muito sincera e muito importante, na medida em que o nosso Portugal nunca esteve assim como está hoje. A miséria está a instalar-se de tal forma que não sei o que vai ser de muitos desempregados, com poucos rendimentos ou até nenhuns, nem imaginas como isso me aflige!
Ontem viajei no autocarro com uma “miúda”, coitada, fez-me chorar depois que me despedi dela quando me abraçou com muita força. Porque durante a curta viagem que ambas fizemos contou-me a sua vida, da sua doença prolongada, já com mais de cinquenta tratamentos de quimioterapia, com pouco dinheiro, um filho ainda pequeno, que me mostrou a fotografia, um marido que nesta fase em vez de a apoiar a despreza, porque acha que o dinheiro que ganha mal dá para os vícios que tem (álcool e tabaco) até me disse que lhe apetecia suicidar-se. Eu tive que lhe dar um “abanão” mostrando que ela estava errada, que a vida dela era importante para o filho, que lutasse, que não desanimasse, que vivesse cada dia como se fosse o último, e que pedisse a Deus ajuda para enfrentar o que lhe estivesse reservado, mas que não desistisse nunca. Foi muito difícil para mim como deves imaginar, ela é pouco mais velha do que a minha filha e emocionei-me muito quando saí do autocarro. A vida é muito “madrasta” para certas pessoas.
Infelizmente o nosso País não vê estes problemas graves, gastam fortunas em coisas que irão apenas ser utilizadas pelos “ricos”. Sinto-me revoltada com esta crise, eu que fui uma das que vivi o 25 de Abril com intensidade porque achava que tudo iria ser diferente no futuro.
Foi um desabafo, estou consternada e triste, porque não vejo grande esperança no futuro que se avizinha.
Um beijinho muito carinhoso,
Ana Paula

Maria disse...

O Abril da flor vermelha está nas nossas mãos, Lisa.
Somos nós que o temos, e devemos saber utilizá-lo. Pela única arma que temos, que é o voto.
Sabes o que penso. Não vou aqui fazer nenhum comentário político. Mas mais do que nunca, quando começam a ameaçar-nos a LIBERDADE que tanto custou a conquistar, temos que pensar bem como vamos utilizar essa arma...

Beijinho, Lisa

Agulheta disse...

Pico Minha Ilha.sempre vamos lembrar a madrugada,no coração jamis será apagada.
Beijinho Lisa)

Agulheta disse...

Eduardo. Agradeco as plavars,e gostei da frase enquanto houver vontades? E tudo irá correr o curso do rio.
Abraço
Lisa

Agulheta disse...

Laura. Compreendo que fales assim,foi como tantos outros que deixaram as terras de Àfrica,como dizes a terra (vermelha) se foi bem feito? não sei,muita coisa que veio depois,se calhar é verdade,agora que o espírito de Abril,não está a ser realizado,não digo eu,se à falta de respeito,sim há muita mas as pessoas assim o fazem muitas das vezes,agora de coração digo... gosto de ser livre e preso muito o respeito e liberdade de cada um,aqui e agora sempre serei assim? Esta é a minha opinião claro.
Beijinho com amizade da (nina Lisa)

Agulheta disse...

Ana. Este texto já o tinha escrito há algum tempo, e dando volta aos papeis verifiquei que fica bem no momento,é destes casos que aqui falas que me revolta algumas vezes,por estes lados muitas fábricas tem fechado,e vejo pessoas a braços com os problemas.Eu vivi Abril em pleno como tu,pois antes era impossível,pois tinha o Pai que era vítima do sistema que antes era implantado,sei que muita coisa está mal,a culpa é de todos que temos fechado os olhos a muita coisa,e vejo grandes fortunas feitas de repente como dizes.Esperança ainda tenho alguma,sou mulher de a ter,agora se a curto ou longo prazo? não sei amiga.
Beijinho no coração da amiga

Lisa

Papoila disse...

Querida Amiga:
Gostei tanto deste teu texto! Sim era madraguda em que o silâncio se fez dia!
Ao fim de 35 anos há que fazer desabtochar de novo Abril!
Beijos

meus instantes e momentos disse...

Lindo texto.
Maurizio

Liar disse...

Mesmo não sendo o que merecemos, mesmo não sendo pelo que lutamos, haja sempre madrugada!

Adorei o texto!

Bjinhos

Céci