
Os anjos que conheço são de erva e de silêncio
nalgum jardim de tarde. Mas quais os mais ardentes?
Feitos de mar e sol, elevam-se nas ondas,
entre as mulheres de coxas tão fortes como touros
O meu luto é de mesas e de bandeiras sem paz
É estar sem corpo à espera, inconsolada boca,
o fogo ateia o peito, a cabeça perde a fronte,
o vazio rodopia, é o celeste inferno.
Desço ainda um degrau com o anjo infernal,
um turbilhão de ervas, um redemoinho de sangue
Quem me vale agora se perdi o meu cavalo?
António Ramos Rosa
foto:glimbo
sexta-feira, 20 de Novembro de 2009
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quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Canção de alta noite
Alta noite, lua quieta,
muros frios, praia rasa.
Andar, andar, que um poeta
não necessita de casa.
Acaba-se a última porta.
O resto é o chão do abandono.
Um poeta, na noite morta,
não necessita de sono.
Andar...Perder o seu passo
na noite, também perdida.
Um poeta, à mercê do espaço,
nem necessita de vida.
Andar... - enquanto consente
Deus que seja a noite andada.
Porque o poeta, indiferente,
anda por andar - somente.
Não necessita de nada.
Cecília Meireles
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terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Como passou o tempo,foi tão depressa...a galope.
que só de pensar fica pressa minha voz.
Agora resta a madruga,a lua as estrelas!
penso que naquele tempo tudo era melodia
até acordar pela manhã e sentir o dia.
Hoje a cada instante esperamos sempre pelo amanhã
mesmo que não seja o mesmo,mas esperamos...é do tempo.
Lisa
foto http://oamoreeterno.blogspot.com
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19:12
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sábado, 14 de Novembro de 2009

Dia
De que céu caído,
oh insólito,
imóvel solitário na onda do tempo?
És a duração,
o tempo que amadurece
num instante enorme, diáfano:
flecha no ar,
branco embelezado
e espaço já sem memória de flecha.
Dia feito de tempo e de vazio:
desabitas-me, apagas
meu nome e o que sou,
enchendo-me de ti: luz, nada.
E flutuo, já sem mim, pura existência.
Octavio Paz, in "Liberdade sob Palavra"
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23:53
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sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

(foto google)
Deixei-me levar pelo som do vento
que batia no rosto. Como uma folha perdida,
ao longo do caminho vagueei em cima de folhas de várias cores,
como fossem labaredas da minha mente,e de passo insatisfeito.
Continuo pelas ervas pisadas,e onde um dia um par de botas
as marcaram como uma pedra, e como dói o sentido lamento.
Lisa 13/11/2009
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quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Acende o lume e fita os olhos no crepitar da lenha
despeja nela as castanhas,e sente o cheiro entrar
nas narinas e volta ao tempo das lembranças,
quando eras criança,fecha os olhos. Em volta de ti
estão os colegas da escola,te esfregam a cara
de cinza e recordações,do tempo verdadeiro
e de S. Martinho com toda a simplicidade,então
pega num molho de lenha,e volta a assar as castanhas
das tuas recordações.
Lisa,11/11/2009
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17:02
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terça-feira, 10 de Novembro de 2009

"Muitas vezes as pessoas tentam viver a vida às avessas: eles procuram ter mais coisas ou mais dinheiro, para poderem fazer o que querem, de modo que possam ser felizes. A coisa deve funcionar ao contrário: você primeiramente precisa ser quem você realmente é, para então fazer o que precisa ser feito, a fim de ter o que você deseja".
Shakti Gawain
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18:55
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segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Ouve amor! Hoje é nosso dia, naquele de passo apressado pela nossa linda idade,o fizemos em conjunto.As minhas mãos tremiam,nem conseguia segurar as flores que nas mesmas tinha.
O meu coração parou no instante,quando alguém perguntou se era de espontânea vontade? Sim eu disse, mas a vontade de correr para os teus braços como o fiz,ao longo das horas e dos dias que fomos caminhando.Mais um ano passou a teu lado, vamos caminhando e eu segurando no meu ramo,embora hoje com segurança e não da pouca idade daquele dia,e quando as rugas das mãos forem muitas,ainda irei segurar nas mesmas flores como no primeiro dia,mas não de mão tremulas.
Lisa
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14:00
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